sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Mais do mesmo - Parte I

"Quando acontece algo muito doloroso emocionalmente, e dizemos a nós mesmos que falhamos, estamos na verdade dizendo que temos controle sobre isso: se nos modificarmos, o sofrimento cessará (...) Culpando-nos, prendemo-nos à esperança de que seremos capazes de descobrir onde está o erro e corrigi-lo, controlando, dessa forma, a situação e fazendo o sofrimento cessar."
do livro MULHERES QUE AMAM DEMAIS - Robin Norwood

Verdade verdadeira. Mina Wood racionaliza, pensa e infere. Até quando? Até controlar outra vez (se é que alguma vez controlou?), gerir de outro modo (se é que realmente geria?), fazer diferente...(como se ainda fosse possível?!)

Não faz sentido o amor unilateral. Já nem o é, só por ser metade. É tentador entrar na cabeça de alguém e fazer-se acreditar em algo que não se sabe ser, mas que se acredita que é.

Apesar de ter tido, a espaços, aparições de carácter racio-emocional, a dor que rasga qualquer convicção é a consequência primeira e quase única...ele já não me ama. E eu? O que amo...?...o que ele foi? O que ele podia ter sido? Ou aquilo que eu, a meu tempo, a minha vontade e a meu controle queria que fosse?

Mina quer desprendimento, ainda que não completamente sincero. O ego ferido não permite a clarividência mundana. Quero, ainda, ter a posse de alguém que é refém, mesmo em liberdade. Eu não te controlo, não posso. Eu pude ser diferente? Nunca fui...

O que sei é que quem sou hoje, era naquele dia que te deixei chegar a mim e que fui em todos os outros em que a água aqueceu, primeiro morna de paixão, depois borbulhante de vontade, sempre a escaldar de medo. Aí derrama, transborda o pouco que nunca foi. Arrefeceu? Tanto que ainda queima.

As espectativas de alguém que está noutro alguém são enormes. Ainda Pessoa:

"No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa." Fonte - Livro do Desassossego

Uma ideia nossa...é assim tão redutor? Mas Mina afirma ter feito o melhor. Mina pensou. Errado. Mina falhou. Discutível. Mina não percebe porquê. Proibido perguntar porquê! Não se sabe...não se explica, às vezes...nem se sente. O que sentiste tu, meu ido...o que não senti eu? Exijo que não saibas, nem digas. É demasiado cruel!

Afinal, se é tudo tão finito, se as emoções são tão verdade quanto engano, se hoje sim e amanhã já não, onde está o problema? Será que o Homem já não é capaz de sentir, a longo prazo, senão dor, arrependimento e desilusão? Até onde podemos ir? Até quando acreditar? Quando me posso dar por certa? Nunca? É tempo demais...

Um dia, que não tarde, Mina Sapiens Muitos Muitos chega lá.

Ainda sem saber,
Mina*

Um comentário:

  1. "Afinal, se é tudo tão finito, se as emoções são tão verdade quanto engano, se hoje sim e amanhã já não, onde está o problema? Será que o Homem já não é capaz de sentir, a longo prazo, senão dor, arrependimento e desilusão? Até onde podemos ir? Até quando acreditar? Quando me posso dar por certa? Nunca? É tempo demais..." Mina Wood
    (.....perfect....)

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