"A minha vida é como se me batessem com ela." - Livro do Desassossego
Fernando, meu bom e sempre Pessoa, como tu és tortuoso..."um novelo enrolado pelo lado de dentro". Mina Wood é meada ainda por (des)enrolar. Tem ponta por onde se lhe pegue, mas está tão emaranhada que de nó cego está perdida.
As nódoas negras da minha recente existência gritam por thrombocid. Não foste só tu, Fernandinho. Eu também ando a apanhar da vida, ora de chapada, ora por auto-flagelação. Ainda agora me levanto do último empurrão e já me sinto outra vez a precipitar para a desconfortável rede de trapezista. Mais um número falhado. Meninos e meninas, Mina vai saltar. Outra e outra vez.
Estou no recobro. Acordei de um coma de não sei quantos anos, meses e dias. Estou viva mas não me acredito. Será que afinal não existi? Lembro de tudo, com pormenor. Era eu, sim. E mais alguém que não reconheço agora. Tragam mais morfina...ainda sinto. Por favor...
Merda de vida, puta que és para quem te vive com consciência. Cruel engano, suspensa esperança. Decide-te. Decide-me. Faz-me o que quiseres, mas não me tires o prazer de mais um dia, essa dor boa que faz valer a pena. Acredita em mim. Faz-me justiça.
"Todas as frases do livro da vida, se lidas até ao fim, terminam numa interrogação."
Ó Fernando...PORQUÊ?
Convalescendo,
Mina?
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