Chegou o dia!!
À vossa direita: Mina - crista levantada, anti-valentine, não quero flores, nem bombons e muito menos peluches.
Do vosso lado direito: Mina - crista baixa, nhonhó, quero flores, bombons e peluches.
Declaro empate técnico e ainda nem comecei. É mais fácil e fico já com as penas todas...pode vir a dar jeito. Parece que a moda agora é navajo e tudo o que tenha que ver com os índios. Que bem! Agora já posso fazer pendant quando ouvir celine dion e kenny g. tocado com aquelas flautas manhosas. Eu sabia que um dia este cd ia ser de valor! Só não sei se o uso como statement necklace ou clutch.
Aah sim, os galos. Pois, nenhum deles ganha. De facto, estou numa situação em que não consigo me identificar com as partes. Se por um lado considero repelente, todo e qualquer acto não espontâneo, lamechas e comercial e sempre o apregoei agudo, por outro, estou a esgravatar em mim, uma realidade que não dá para negar. Am i getting soft? Tenho medo. Talvez volte a negar.
Creio que para melhor entendimento deste particular, terei de buscar um reprimidinho. E bem lá no fundo do liceu, acho que encontrei a despoletadora de tanta azia: a professora de oficinas. Porquê? A dita cuja senhora, teve a infelicidade de me desafiar publicamente! (Talvez nada tão dramático assim, mas que para mim era tão grave quanto uma borbulha no nariz.) E que fiz eu, coitada? Ora, achei por bem verbalizar, que o dia dos namorados era uma aldrabice pegada, um engana mundos, quiçá o anticristo! É claro que quem topava o meu encalhanço, disse logo que eu não estava a falar com propriedade, porque desconhecia, de todo, o ritual de dar e receber. Verdade, sim senhor, mas e daí? A minha argumentação foi, nada menos que brilhante!
"Um dia ainda hei-de vê-la na rua, agarradinha ao namorado e derretida a trocar essas coisas que diz que não gosta."
Obviamente, não estou a citar a Florbela nem o Fernando. Foi ela! Ela é a culpada por eu ter aceite o desafio de nunca e jamais celebrar este dia. E se se perguntam o que tem de tão grave...também não sei. Na altura, dito naquele tom jocoso, só tive reacção para amaldiçoar o Sr. Valentim e creio ter articulado um "Isso é o que vamos ver".
Ok ok, visto à luz do meu entendimento actual, é ridículo. E ainda assim demorou a processar. Em quatro dias catorze de fevereiro que passei com o meu pretérito, fiz questão de me blindar para todo e qualquer objecto, acto ou intenção que pudesse por em causa a minha convicção. Não sei o que ele pensou, mas sei que o que eu queria mesmo dizer era: 'não me dês nada que eu não esteja à espera porque vou morrer de vergonha e fico sem jeito, e depois vou adorar e me derreter e querer dar-te também e vergonha outra vez e não sei o que dizer e continuaria a adorar e a querer mais e...odeio-te.'. Duuuuuuh...não sei como ele não percebeu!
(Já agora, aviso à navegação: se algum dia eu voltar a dizer estas tretas ou qualquer outra coisa do género, por favor, atirem-me contra a parede e...you know!!)
Então, Mina, isso quer dizer que perdoas a (talvez já reformada e com cortes significativos na reforma) professora? NÃO!
Que reconheces, que não foi assim tão brilhante essa tua anti-coisa e que estás disponível para dar e receber nhonhózices num futuro próximo? NÃO!
Aceitas que este dia seja celebrado pelos comuns mortais, sem te reservares o direito de comentar, depreciativamente, os comportamentos a respeito? NÃO!
Perceberam? Se são mulheres, provavelmente sim. Se são homens, definitivamente não.
Ou então eu é que sou a tonta, querem ver?
"I don't understand why Cupid was chosen to represent Valentine's Day. When I think about romance, the last thing on my mind is a short, chubby toddler coming at me with a weapon." (Desconhecido)