Meus estimados seguidores,
É raro o dia que não me lembro de passar por cá e mais raro ainda o que vos canto. Eu sei, é uma desconsideração para com quem se habituou ao meu foie gras intectual, mas reparem...não faz diferença nenhuma para os que me vão ler daqui a muitos anos, num pdf qualquer.
Entretanto, só para vocês, tenho constatado que nada de muito significativo me tem provocado regurgitação literária. Os tempos de dor aguda e humidade permanente já lá vão. Do meramente residual já me incinerei e, no entanto, dou por mim a desejar uma emoção qualquer que me provoque não menos que um friozinho na barriga. Será que só me sinto válida quando estou em provação?
Lembrei agora, a propósito de debates catitas sobre pessoas sofridas, que apesar de não me identificar com a classe, estou solidária. Talvez porque apesar de tantas vezes estar a curtir um lodo muito mais escorregadio que o de qualquer outra alma, me sinto verdadeiramente superior. Sim, porque o meu lodo é muito melhor que o teu e sim, porque sou melhor que os outros, até no mais fundo que se pode bater. Que é como quem diz...sou mais sofrida que tu, pois claro...mas só porque sei fazê-lo melhor.
Será por isso é que em tempos idos me chamavam de convencida? Na altura, achava uma tolice e refutava a valer, mas agora acho que tinham razão. Só não percebo uma coisa: como é que sendo mais gorda que as outras, menos atraente que as outras e terrivelmente menos popular que as outras, tinha a valente lata de ainda assim me achar superior. O que mais tem piada é que, já então, tinha a firme convicção que me destacava dos demais, mesmo que isso não abonasse a meu favor. Lá por dentro, eu era assim como um patinho feio que mais cedo ou mais tarde ia crescer, fazer uma dieta...et voilá! Até hoje.
Por isso é que na minha historinha de encantar, o raio do cisne tende a não se revelar. Não digo que ainda seja pato gordo, mas algures pelo caminho creio ter hipotecado muito daquilo que eu pensei vir a ser um dia. Sei o que parece...fraca auto-estima. Não nego. No entanto, apesar do tombo emocional que me desfigurou corpo e alma, continuo lá em cima, naquele lugar que só eu sei e tantas vezes não desejo. É um saber de mim que tantas vezes finjo ignorar para não ter que corresponder. Sei que entro em conflito comigo mesma, mas é da maneira que nunca me excedo e passo despercebida. A ideia é acharem sempre que não estás a tirar partido máximo das tuas potencialidades. Tem resultado!
E tudo isto vinha a propósito do quê?...Mina diz que não se sente? Aaah pois não! Ele é porque dou por mim a pensar no que ainda mexe e tão mais do mesmo; porque estou bem viva quando provo o fel das quintas feiras (em que bato de frente com pessoa indesejável); porque não quero deixar de sentir a falta de quem me faz falta todos os dias; porque 'onde estás?' 'como estás?' 'o que fazes?'; e principalmente, porque 'Não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito'.
E com Shakespeare vos deixo...
Sentindo-me Mina*
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